Durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a economia brasileira enfrentou desafios significativos. O Real desvalorizou 28% no período, a inflação mais que dobrou e a dívida pública cresceu, contrariando algumas das promessas feitas durante a campanha presidencial.
Bolsonaro assumiu a presidência em 2019 com uma taxa de inflação de 3,75%, mas entregou o governo em 2022 com 7,11%. O dólar, que estava cotado a R$ 3,70 no início de seu mandato, chegou a R$ 5,11 ao final. A dívida pública, que era de 75,4% do PIB no governo Dilma Rousseff, atingiu 78,3% ao fim da gestão Bolsonaro. Além disso, os gastos do governo dispararam, passando de R$ 3,5 trilhões na gestão Michel Temer para R$ 4,7 trilhões ao final de 2022.
Promessas não cumpridas
Durante a campanha, Bolsonaro apresentou diversas propostas para estimular o crescimento econômico e desburocratizar o país. Algumas dessas promessas, no entanto, não foram concretizadas ou tiveram resultados diferentes do esperado.
Entre elas estava o programa Carteira Verde e Amarela, que previa isenção de tributos para empregadores que contratassem jovens sem experiência e pessoas retornando ao mercado de trabalho. A iniciativa foi implementada por um curto período, mas acabou sendo revogada.
Outra promessa foi a criação de uma alíquota única de 20% para quem ganhasse mais de cinco salários mínimos, além da isenção de impostos para quem ganhasse até esse valor. O projeto nunca saiu do papel.
O então presidente também prometeu reduzir o número de ministérios de 29 para 15. No entanto, o governo Bolsonaro terminou com 22 pastas. Ainda que tenha reduzido a estrutura, o compromisso inicial não foi cumprido integralmente.
A promessa de criar um balcão único para abertura de empresas, agilizando o processo para a obtenção do CNPJ em até 30 minutos, foi uma das poucas concretizadas, sendo viabilizada pela Lei nº 4.195/21.
A privatização de empresas públicas era uma das bandeiras do governo Bolsonaro, que pretendia liquidar a dívida pública com essas vendas. No entanto, apesar de ter privatizado um terço das estatais, a dívida do país aumentou em seu mandato.
A reforma da Previdência foi outro ponto de destaque. Bolsonaro conseguiu implementá-la, mas o resultado foi criticado por penalizar contribuintes, principalmente aqueles com menores rendimentos.
No que diz respeito aos impostos, o ex-presidente prometeu reduzi-los de forma ampla, mas apesar de algumas desonerações pontuais, a promessa de uma reforma tributária mais abrangente não foi cumprida.
Legado econômico
Ao final do governo Bolsonaro, a economia brasileira enfrentava inflação elevada, aumento da dívida pública e instabilidade cambial. Algumas das principais promessas de campanha não se concretizaram, enquanto outras foram implementadas parcialmente ou com efeitos diferentes do esperado.
Com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto em 2023, a nova gestão herdou desafios fiscais e econômicos que continuam a impactar o cenário nacional.
Matéria: Aurélio Fidêncio
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